Esclerótica




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As pequenas diferenças.

Quarta-feira, Janeiro 14, 2009
“Post de verão” ou “Post com o que penso sobre a chuva de verão”ou ainda “Post sem pé nem cabeça, em que os parágrafos podem ser lidos em qualquer ordem”


O calor tem sido intenso, e a chuva quando vem é breve, intensa, digna de enchentes e tempestades que muitas vezes causam sérias conseqüências aos moradores da capital paulista.

É engraçado como as coisas acontecem quando a chuva de verão, súbita e breve, aparece. De repente todo mundo começa a correr, a se abrigar debaixo das padarias, bares, ou apenas um lugar coberto para não se molharem. Então as pessoas começam a rir delas mesmas nessa situação corriqueira e desajeitada que é fugir da chuva.
Em momentos como a chuva de verão a gente valoriza coisas tão singelas como por exemplo um guarda-chuva, as férias, o simples fato de estar em um lugar coberto e seguro; ou quando as três coisas se juntam, e vc está, com seu guarda-chuva, na porta do seu lar quando cai a chuva, indo para casa descansar de nada, chegando em casa para abrir a janela e escrever qualquer baboseira para publicar em um blog.


E quando o ônibus passa bem rente a calçada, molhando todos os pedestres na rua, as pessoas ficam num misto de ira e gargalhada. A chuva de verão é aquela que a gente espera querendo, entretanto, que ela não venha. Que não venha justamente na hora que a gente descer do meio de transporte, que não venha naquele curto momento que estamos levando as compras do mercado para o carro. E principalmente: que não venha bem na hora que chegamos ao clube pra tomar um sol na piscina. Mas que ela venha quando estivermos em casa, em uma preguiçosa tarde com direito a filmes cafonas, sorvete e a uma soneca mesmo após dormir 8 horas durante a noite.


P.S.: O tempo que levou para eu escrever esse curto e sem começo nem fim post a chuva veio, ficou forte, enfraqueceu, apertou, enfraqueceu de novo, parou, ameaçou voltar, e o céu já está se abrindo de novo enquanto a minha janela seca.

Quase tão efêmero quanto a minha inspiração para escrever.


escrito por Patrícia P. 5:21 PM
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Quarta-feira, Setembro 17, 2008
Algo postável

Esses dias eu estava dentro do ônibus, sentada, ouvindo música. Dentro do ônibus estava quente, na rua era frio e ventava. Se bobear uma garoa fininha e incômoda. O dia era cinza e sem graça. Era uma quarta-feira, se não me engano. Eu trabalharia às 9 horas, saí muito mais cedo a fim de evitar o trânsito carregado da Av. Rebouças no horário de pico. Em um farol, o ônibus parou próximo à calçada. O ônibus estava cheio e eu estava sentada em uma cadeira disputadíssima entre algumas pessoas, todas aparentemente cansadas, aparentemente indo trabalhar. Venci de 3 pessoas a corrida por um lugar "menos mau" no ônibus.

Olho distraidamente para a rua e vejo um homem correndo. Não era bonito e nem parecia ser rico. Vestia-se de forma normal, jeans surrado e uma blusa de lã. Correndo de forma completamente estabanada. Com os braços abertos, uma pasta em uma mão.
Corria desajeitosamente, mas era um tanto quanto rápido.

O mais incrível: com um enorme sorriso no rosto. Como se tivesse ganhado na loteria.






Analisando todo o contexto me deu uma vontade de ser ele e deixar pra trás tudo aquilo, o ônibus, o trabalho, a correria, a quarta cinzenta.


Apenas correr. E sorrir.


escrito por Patrícia P. 6:12 PM
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Segunda-feira, Setembro 15, 2008
a pessoa mais forte que já conheci


Conheci há pouco menos de 5 anos. Nessa época ela já tinha dado provas reais de que era uma das pessoas mais fortes do mundo. A gente começou a andar de ônibus juntas. Depois passamos a almoçar juntas, depois passamos a dividir os amigos. Cabulamos aula, jogamos ping-pong, cancan, fomos ao cinema... muita coisa fizemos juntas.

Em diversos momentos pensamos que nos separaríamos. Sofremos por antecipação. Em vão. Ela já estava muito embutida em minha vida para simplesmente cada uma seguir sua vida sem a outra. E de todas as vezes que imaginamos uma separação, apenas na primeira eu temi de verdade. Nas outras eu já tinha consciência de que a distância não interferiria uma amizade como a nossa.

Todos gostam da pessoa mais forte que eu já conheci. Ela é tão forte e ao mesmo tempo passa uma imagem tão sensível. Todos a querem por perto. Ela fala alto, não tem medo de passar vergonha, ou de ser feliz. Ela aceita todos os programas sem-noção que eu invento. Eu sei que ela estará sempre presente em minha vida. Talvez não todos os dias, como eu queria que ela ainda estivesse. Mas sempre haverá uma situação tragi-cômica pra depois a gente lembrar.

Ela não tem medo de ser julgada. Não tem medo de sofrer. Não tem medo de dizer não. Não tem medo de discordar quando algo está errado e recomeçar. Não tem medo de dizer sim e depois ser julgada por isso. Faz o que tem vontade. E ao mesmo tempo não é malvista, malquista. Eu recomendo para todo mundo. Apresento a todos meus amigos e parentes com o maior orgulho.


Força. Ela já mostrou que tem. Mais do que muita gente. Superou, aos 15 anos, momentos que deixam qualquer quarentão frágil igual a um bebê.
Eu me sinto uma criança, nesse momento, sem saber o que fazer, como agir.

Mas ela sabe. Ela é forte. Ela é
Paz!


P.s.: Post urgente, e também para não deixar taaaaaaaaaaaanto tempo sem postar.

escrito por Patrícia P. 12:18 PM
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Terça-feira, Julho 29, 2008
pensamentos de microssegundos.




- Patrícia, anota o número do telefone X aí!

Pego uma lapiseira. Uma antiga lapiseira 0.9 que eu usava muito freqüentemente ao estudar para o vestibular. E quando eu começo a deslizar a lapiseira sobre o papel, fazendo formatos redondos que fazem um sentido absolutamente reconhecido em praticamente todo mundo, entro em um universo paralelo e começo a viajar para bem longe dali. Lembro-me de quando criança, que eu achava espetacular a gente conseguir mexer as mãozinhas e rabiscar coisas entendíveis. Eu rabiscava todos os papéis que eu via no mundo, querendo me expôr, querendo ser entendida. Nem sempre era entendida, tive muito a aprimorar nos meus rabiscos. Talvez esse blog seja uma tentativa disso. Talvez.

E quantas coisas importantes são ditas, declaradas e oficializadas pelo ato de escrever? Quantas tradições foram mantidas, hábitos, receitas, orações, poemas, juras!? A idéia, claro, é romântica, mas eu sempre preferi as cartas escritas a mão e as coisas que, a punho, foram carinhosamente pensadas e caprichosamente colocadas no papel para outra pessoa receber o mesmo papel em que a primeira pessoa debruçou-se a fim de se expôr.
Se formos parar pra pensar, essa era digital torna-se um tanto quanto (pra ser modesta) mais impessoal. Agora não tem mais aquela coisa da letra indicar sua personalidade de forma que em uma carta você transpassa como uma pessoa se sentia no dia (apressada, calma, caprichosa, impaciente). Aliás, até indica, mas a comunicação já não é mais assim e todos nós, blogueiros, orkuteiros e freqüentadores do messenger sabemos que não é mais assim. Um amigo antigo a princípio resume-se a e-mails para depois transformar-se em scraps, depois o amigo torna-se fotos de uma pessoa que você não conhece mais e depois se transforma em um simples e frio "feliz aniversário/ feliz natal" até você ou ele cometer "orkuticídio" e vocês voltarem ao mundo onde-as-pessoas-perdem-o-contato. Essas coisas somadas a outras, como as normas da ABNT que nos deixam mais iguais que Oompa-loompas, me deixam com uma nostalgia de uma era que eu sequer vivi, mas insisto em fazer com que as cartas/ dedicatórias em livros/ bilhetes/ agendas-com-confidências dêem seus últimos suspiros.

Outra coisa que relembrei ainda anotando um número de telefone, coisa que eu já não fazia há muito tempo, mas a bateria descarregada do meu celular me obrigou a fazer, foi o som que o grafite faz ao raspar no papel: Um tênue e muitas vezes pausado "shhhh" que apenas em um lugar extremamente silencioso, como um hospital, a gente coonsegue reparar. "Sons bonitos de se ouvir" pensei, lembrando-me também de quando viramos a página de um livro ou da respiração de uma pessoa dormindo (exceto quando essa pessoa está roncando).


E então terminei de anotar o número e voltei ao mundo onde-um-segundo-dura-um-segundo.



Recomendação da vez (tentei colocar isso na coluna ao lado, mas ficou visualmente horrível, então provisoriamente será ao fim dos posts em que eu estiver musicalmente inspirada):
(ouça sem preconceitos. =P)

 
Los Hermanos - Deixa estar



P.S.: É sério, cartas e coisas escritas a mão são inspiradoras, na minha opinião. Tanto é que esse post foi rascunhado a mão. Rascunhos são inspiradores. Se alguém quiser me escrever uma carta enviem para: (não, eu não vou colocar meu endereço aqui. mas se alguém quiser eu passo)


escrito por Patrícia P. 1:31 AM
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Sexta-feira, Julho 11, 2008
Admirável (sub)mundo novo



Eis mais um blog que eu estréio. Não é o primeiro, nem o segundo.

Pra quem não me conhece, Patrícia Martins, 20, estudante. Também participo do
Tabajara F.C. (apesar desse blog estar um tanto quanto abandonado por mim). Já faz um tempo que eu pretendo voltar a escrever, todavia eu deixei tudo para última hora, como sempre. Enrolei metade do semestre e a outra metade eu fiquei quase louca tirando o atraso. Daqui alguns dias veremos se isso deu algum resultado ou se eu precisarei mudar as minhas técnicas durante a minha graduação.

Eu, como uma boa (ou não) universitária da área de humanas adoro escrever. Sobre tudo e qualquer coisa. Um dia me inspiro e quero ser poeta, quero ser Vinícius. Noutro dia quero ser Veríssimo. Logicamente nunca sequer cheguei perto. Nem chegarei. Não esperem muita coisa desse espaço aqui. Considerem como apenas um desabafo. Ou um amontoado deles.


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Gostaria de explicar primeiramente o porquê (ok, eu nunca lembro a regra dos porquês [pós-fuvest meu português nunca mais foi o mesmo], se alguém souber decor comenta aí que da próxima vez eu tento lembrar) do título do blog.
Tenho sérios problemas com títulos. Nunca escolho bem. Havia escolhido outro título, mas que no fim das contas não tinha muito a ver comigo, mesmo por que eu havia roubado a idéia de uma outra pessoa.

Nessa típica correria de fim de semestre eu estava lendo um livro (que, inclusive, eu precisei resenhar) que me trouxe muitas curiosidades e me deixou com uma enorme bagagem pra virar aquela "tia que conta histórias". Sabe aquela pessoa que sempre fala "ow, vc sabe da onde surgiu tal coisa?" ? Então, no dia que eu decorar o tal livro de antropologia que eu resenhei eu serei uma dessas. Voltando, uma parte interessante foi a que diz da Esclerótica.


É um mero detalhe evolutivo. Entretanto nenhum outro animal possui, nem mesmo nossos primos chimpanzés e os outros macacos. A esclerótica é o branco-dos-olhos. Nós, humanos, temos uma parte visível do branco dos olhos. Isso torna nossos olhares um pouco mais expressivos. E quando movimentamos nosso globo ocular, olhando para cima ou para os lados, essa movimentação é muito mais expressiva do que se nós não possuíssemos a esclerótica visível. E faz com que uma pessoa, ao olhar para outra, saiba para onde ela está olhando, mesmo que a uma certa distância dessa pessoa.

Trata-se de um simples e sutil detalhe. Mas que nos diferencia dos demais animais que convivem conosco. Por isso eu escolhi esse título, pois são simples e minuciosos detalhes que nos fazem ser quem somos. E eu não falo apenas da espécie humana comparada às outras espécies, mas da vida como um todo. Somos todos iguais, afinal. Porém coisas sutis nos fazem absolutamente diferentes uns dos outros. Ainda bem.


Bem vindos ao meu blog! Voltem mais vezes!

escrito por Patrícia P. 1:15 AM
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